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ANIMAIS PEÇONHENTOS Abelhas e Vespas Os sintomas se mostram particularmente graves quando as picadas são numerosas, quando o veneno foi introduzido em vasos sangüíneos ou em sua vizinhança imediata. Manifestações clínicas: Dispnéia, sensação de constrição, vertigem, taquicardia, hipotensão; às vezes convulsões, edema de Quincke, urticária e outros sintomas. A picada na face, pescoço, boca, língua, faringe pode causar sufocação e morte. Tratamento: Remover o “ferrão” com cuidado para não espremer a glândula e não inocular dose adicional de veneno; tocar o local da picada com algodão embebido em álcool mentolado; injeção intravenosa de 10 a 20 ml de cálcio a 20%, podendo ser eventualmente repetida; anti-histamínicos, sedativos, analgésicos. Adrenalina 1/1.000 no tratamento de reações alérgicas graves. PRINCIPAIS ARANHAS VENENOSAS NO BRASIL Aranha Armadeira (“Phoneutria”) Acidentes muito freqüentes; aranha muito agressiva, com hábitos vespertinos e noturnos. São encontradas em bananeiras, outras folhagens e no interior de residências. Não faz teia. Sintomas: Dor intensa no local da picada. Tratamento: Analgésicos/bloqueio local com lidocaína 2%, 4 ml. Tratamento específico: Soro antiaracnídico polivalente, 5 a 10 ampolas. Dose única via intravenosa. Aranha Marrom (“Loxosceles”) Acidentes pouco freqüentes; aranha pouco agressiva, com hábitos noturnos. Encontram-se em pilhas de tijolos, telhas, beiras de barrancos e também nas residências. Teia irregular. Sintomas: Na hora da picada, dor pequena e despercebida; após 12 a 24 h, dor local com inchaço, mal-estar geral, náuseas e, às vezes, febre. Pode causar necrose local. Caso grave: Urina cor de coca-cola. Tratamento: Analgésicos. Tratamento específico: Soro antiaracnídico polivalente ou soro antiloxoscélico — 10 ampolas. Dose única via intravenosa. Tarântula (“Scaptocosa = Lycosa”) Acidentes freqüentes: Aranha pouco agressiva, com hábitos diurnos. São encontradas em beiras de barrancos, gramados (jardins) e nas residências. Não faz teia. Sintomas: Geralmente sem sintomas; pode haver pequena dor local, havendo a possibilidade de evoluir para necrose local. Tratamento: Analgésicos. Tratamento específico: Nenhum. Caranguejeiras Acidentes pouco freqüentes: As aranhas atingem grandes dimensões e algumas são muito agressivas; possuem ferrões grandes, responsáveis por ferroadas dolorosas. Tratamento: Anti-histamínico via oral, se necessário. Tratamento específico: Nenhum. Acidentes Ofídicos: Cuidados Imediatos 1. Imediatamente após o acidente, o paciente deve ser mantido em repouso, evitando deambular ou correr; caso contrário, a absorção do veneno pode ser favorecida e, em se tratando de acidentes botrópicos, agravadas as lesões no local da picada. Não se deve fazer o garroteamento do membro afetado, pois isto agravará as lesões locais. A remoção do acidentado para centros de tratamento deve ser efetuada no menor tempo possível. 2. Aplicar o soro específico. Coletar sangue para exames laboratoriais antes da soroterapia, desde que ela não seja retardada. Se isso não for viável, coletá-lo o mais breve possível, para avaliação inicial e parâmetro na evolução. Devem ser realizadas provas de coagulação e, se disponíveis, hemograma, dosagens de uréia e creatinina, eletrólitos, creatinofosfoquinase (CPK), desidrogenase láctica (LDH) e aldolase, além de exames de urina de rotina. 3. O membro afetado deve ser mantido elevado. 4. Deve-se administrar analgésicos e tranqüilizar o paciente, bem como evitar o uso de drogas depressoras do sistema nervoso. 5. Deve-se controlar os sinais vitais e o volume urinário do paciente. 6. O local da picada deve ser cuidadosamente limpo. PRINCIPAIS SERPENTES VENENOSAS NO BRASIL Jararaca (“Bothrops”) Possui Fosseta loreal ou lacrimal, tendo a extremidade da cauda com escamas normais e cor geralmente parda. Nomes populares: Caiçaca, jararacuçu, urutu, jararaca-de-rabo-branco, cotiara, cruzeira, etc. Algumas espécies são mais agressivas; encontram-se geralmente em locais úmidos. Cascavel (“Crotalus”) Possui Fosseta loreal ou lacrimal; a extremidade da cauda apresenta guizo ou chocalho e cor amarelada. Nomes populares: Cascavel, boicininga, maracambóia, etc. Essas serpentes são menos agressivas que as jararacas e encontram-se geralmente em locais secos. Surucucu (“Lachesis”) Possui Fosseta loreal ou lacrimal; a extremidade da cauda possui escamas eriçadas e cor alaranjada com desenhos pretos no dorso. Nomes populares: Surucucu-pico-de-jaca, surucucutinga. É a maior serpente venenosa das Américas. Encontrada em regiões de florestas tropicais. Em Minas Gerais sabe-se de sua existência no Vale do Rio Doce e na divisa com o Espírito Santo. Coral-verdadeira (“Micrurus”) Não possui Fosseta loreal (atenção: Ausência de Fosseta loreal é característica de não-venenosas. As corais são exceção). Coloração em anéis vermelhos, pretos, brancos e amarelos. Nomes populares: Coral, coral-verdadeira, ibiboboca etc. São encontradas em locais em tocas — hábitos subterrâneos. Essas serpentes não são agressivas. PRINCIPAIS ESCORPIÕES VENENOSOS NO BRASIL Escorpião Preto (“Tityus bahiensis”) Escorpião Amarelo (“Tityus serrulatus”) Os acidentes com escorpiões são freqüentes. Os escorpiões são pouco agressivos e têm hábitos noturnos. Encontram-se em pilhas de madeiras, cercas, sob pedras, cupinzeiros e adaptam-se bem ao ambiente doméstico. Sintomas: Dor local imediata em 100% dos casos. Sintomas gerais: Sudorese, vômitos, agitação, manifestações cardiorrespiratórias. Tratamento sintomático: Analgésicos/bloqueio local com lidocaína 2%, 4 ml. O tratamento específico somente é utilizado quando o acidentado apresentar qualquer dos sintomas gerais descritos, sendo que crianças menores de sete anos e velhos são mais suscetíveis. Tratamento específico: Quatro ampolas de soro antiescorpiônico ou antiaracnídico polivalente. Dose única via intravenosa. |