| ESTADO DE COMA |
O estado de coma consiste na depressão das funções da vida de relação, de profundidade variável, com alterações mínimas da vida vegetativa.
DEFINIÇÕES
1. Comas:
a) Coma carótico ou profundo: Ausência dos reflexos corneanos, tendinosos e plantares.
b) Subcoma: O doente responde aos fortes estímulos exteriores com uma débil reação de defesa.
c) Coma vigil: Com excitação psicomotora e delírio; o doente abre os olhos quando alguém lhe fala.
2. Estupor: Atividades física e psíquica muito reduzidas. O paciente responde às excitações externas muito intensas, abrindo os olhos, mas não parece compreender o que se lhe diz.
3. Sono: Inatividades física e psíquica da qual a pessoa pode ser tirada por excitações externas, voltando à perfeita lucidez.
4. Confusão mental: O doente não pensa com a rapidez e a coerência habituais. Tem uma percepção confusa do mundo exterior, diz umas poucas palavras ou frases e não se lembra de nada do que ocorreu durante o estado confusional.
Exame de um Comatoso
Inicialmente, verificar se não se trata de um chocado ou um traumatizado e se as vias respiratórias estão livres. A seguir, interrogar a família para obter dados sobre a saúde anterior (nefrite, diabetes, hipertensão, cardiopatias), início súbito ou progressivo do coma, presença de cefaléia, de convulsões, ingestão de álcool ou de qualquer outra substância. Depois, então, atentar para o seguinte:
1. Cabeça — Face congestionada (álcool), rosada (intoxicação pelo óxido de carbono), ferimento, perda de sangue ou de líquido cefalorraquidiano pelo nariz ou ouvido (traumatismo), cicatrizes (epilepsia). Assimetria facial, desvio conjugado dos olhos etc.
2. Olhos — Miose punctiforme (opiáceos), anisocoria (processo intracraniano localizado, estando a midríase do lado lesado).
3. Pele — Eritema escarlatiniforme (coma barbitúrico), púrpura e herpes nasolabial (meningite cerebroespinhal), suores profusos (coma hipoglicêmico) e placas urticarianas.
4. Hálito — Álcool, uréia, corpos cetônicos.
5. Temperatura — Elevada (meningite, insolação, lesão dos centros termorreguladores); baixa (coma alcoólico, barbitúrico).
6. Pulso — Lento no bloqueio auriculoventricular e na hipertensão endocraniana; rápido nas taquiarritmias com distúrbios cerebrovasculares.
7. Pressão arterial — Elevada (uremia, apoplexia, edema cerebromeníngeo); baixa (coma diabético, alcoólico, barbitúrico, colapso).
8. Respiração — Lenta (barbitúricos, opiáceos, hipertensão intracraniana); rápida (acidose diabética ou urêmica).
9. Sinais de irritação meníngea — Resistência à flexão passiva do pescoço, sendo livres os movimentos de rotação da cabeça.
10. Sinais de localização — Perda dos movimentos espontâneos de um lado; assimetria facial; desvio conjugado dos olhos e da cabeça; perda do tono muscular mais de um lado que do outro; o membro do lado acometido cai mais pesadamente sobre a cama.
11. Fundo de olho — Edema da papila (hipertensão endocraniana), retinopatia diabética, retinopatia hipertensiva.
12. Punção lombar — Verifica-se a pressão do liquor, a presença de hemorragia (acidente cerebrovascular) e de hipercitose (meningite).
13. Urina — Extraída por cateterismo. Pode dar cetonúria (coma diabético, vômitos prolongados), glicosúria (coma diabético), albuminúria (coma urêmico), densidade (elevada no coma diabético e diminuída na uremia).
14. Sangue — Determinação de uréia (uremia); glicose (diabetes); sódio, potássio, cloretos, pO2, pH e pCO2; hemocultura.
15. Conteúdo gástrico — Importante seu exame quando se pensa na possibilidade de envenenamento.
16. Exame radiológico — Examinar especialmente o crânio e o tórax.