INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA

É a perda súbita e geralmente transitória da função renal.
Etiologia — Estado de choque, transfusão de sangue incompatível, intoxicação por nefrotóxicos etc. Em crianças, pode resultar de pielonefrite, de choque por desidratação e outras causas.
Clínica — Depois de um período variável de algumas horas a 2-3 dias, há a fase oligúrica que no adulto dura 4 a 12 dias (no lactente, 2 a 10 dias). A oligúria é grave, podendo chegar à anúria, com acidose metabólica e retenção nitrogenada que progride rapidamente, aparecendo ao mesmo tempo torpor, hiperpnéia, convulsões, estado de coma e hiperpotassemia progressiva.
Passada esta fase, observa-se aumento paulatino do fluxo urinário até ultrapassar as cifras normais de diurese. Nesta fase, há o perigo de excessiva perda de eletrólitos.
A terceira fase se caracteriza por diminuição da eficiência renal para manter a homeostase orgânica, podendo haver graves desequilíbrios hidreletrolíticos por causas patológicas insignificantes.
Tratamento — É básico o diagnóstico precoce da lesão orgânica. Administram-se 3 ml/kg de peso corporal de manitol a 10% (sem ultrapassar 130 ml), em cinco minutos, observando-se a diurese na hora seguinte. Não havendo diurese superior a 15 ml por hora e por metro quadrado de superfície corporal, faz-se o diagnóstico de insuficiência renal aguda, orgânica, cujo manejo é o seguinte:
1. Repouso absoluto na cama.
2. Balanço de líquidos cada 8 horas, repondo as perdas (por vômitos, evacuações, diurese, perspiração insensível) com solução glicosada a 15%.
3. Dosagem diária de uréia, creatinina, sódio, cloreto, potássio e reserva alcalina.
4. ECG diário. Na fase oligúrica, com hiperpotassemia, pode haver acuminação progressiva e aumento de voltagem da onda T, aumento de QRS e diminuição da onda P. Também podem surgir arritmias, inclusive fibrilação ventricular. Na fase terminal, não é raro ocorrer bradicardia.
5. Em caso de hiperpotassemia, é útil o uso de solução glicosada a 15% com uma unidade de insulina regular para cada cinco gramas de glicose.
6. Controle da hipertensão arterial com derivados da reserpina ou da hidralazina.
7. Surpreender e tratar precocemente as infecções.
8. Sempre que possível, proceder à diálise peritoneal.

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