| INTOXICAÇÕES |
Ácido Cianídrico
No Brasil, dado o largo uso dos “formicidas” — cuja base costuma ser o ácido cianídrico — são freqüentes os suicídios com esta substância. Este ácido se encontra em certas frutas (amêndoas amargas, caroços de pêssego, de cerejas, de abricós, suco de mandioca), em medicamentos (água de louro-cereja) e na indústria (fabricação do gás de iluminação, de inseticidas, do amoníaco, galvanoplastia etc.).
Sua inalação maciça leva à morte em alguns segundos. A intoxicação de gravidade média provoca dispnéia, acessos de tosse, vertigens, cefaléia, zumbidos, náuseas, vômitos, convulsões e coma.
Tratamento: Visa a formar, tão rapidamente quanto possível, a meta-hemoglobina, pela qual o ácido cianídrico tem particular afinidade. Então, lavagem gástrica com permanganato de potássio a 2% ou água oxigenada a 3%; fazer respirar nitrato de amilo; ao mesmo tempo injetar na veia, lentamente, nitrito de sódio, 10 a 15 ml de solução, 0,5% a 1%; a seguir, 10 a 20 ml de hipossulfito de sódio a 20% ou 25%. O doente torna-se cianótico. Perigo: Hipotensão e choque (tratamento: adrenalina); transfusões; oxigênio; respiração artificial.
Ácido Oxálico
Sal de azedas (bioxalato de potássio). Usa-se para remover manchas, na indústria têxtil, e dos metais. O ácido oxálico existe em certos vegetais como o ruibarbo, em certos líquens e no chocolate.
Manifestações clínicas: Gastrenterite aguda, hipocalcemia e tetania; depois, oligúria, anúria e uremia, provavelmente por bloqueio das vias urinárias superiores por cristais de oxalato de cálcio, que existem em abundância no sedimento.
Tratamento: Lavagem gástrica ou administração de cálcio (cloreto a 5%, água de cal, gluconato, leite em grande quantidade). Pode-se usar também magnésia hidratada ou cloreto de magnésio (20 a 30 gramas). Deve-se evitar o bicarbonato de sódio, que irá formar o oxalato de sódio (tóxico, de fácil absorção); hidratação com perfusões venosas de soro glicosado a 5% ou 10%; combater choque; sangria; oxigênio; combater dores com demerol ou morfina; antibióticos.
Ácidos e Álcalis Cáusticos
Ácidos: clorídrico, nítrico, sulfúrico etc. Álcalis: soda cáustica, potassa cáustica, cal viva, amoníaco etc.
Manifestações clínicas: Disfagia, dores retrosternais e epigástricas, náuseas, vômitos e diarréia. Mais tarde, estomatites, perfurações do esôfago (mediastinite), do estômago e dos intestinos (peritonite). Distúrbios hepatorrenais freqüentes. Nos casos graves, morte rápida em choque. Seqüela: estenose do esôfago ou do piloro.
Tratamento: Em caso de ácidos, evitar sonda gástrica pelo risco de perfuração; ingestão de solução gelada de óxido de magnésio (100 g para 1.000 de água), ou de hidróxido de magnésio (leite de magnésia) ou hidróxido de alumínio; bochechos balsâmicos, colutórios analgésicos com “xilocaína viscosa” a 2%; analépticos; hidratação; transfusões; oxigênio; sedativos; proibir alimentos por 24 horas, dando depois desse prazo leite gelado, gelatina de folhas ou geléia de mocotó; corticosteróides; fazer o paciente deglutir um fio que será fixado à pele para orientar depois o tratamento da estenose esofagiana.
Em caso de álcalis: ácido cítrico (20 g em 2 litros de água) ou tartárico bem diluídos. Na emergência, usa-se o vinagre diluído ou o suco de limão; contra-indicado o uso de sonda gástrica; demerol, 100 mg de 6/6 horas; bolsa de gelo no epigástrio; óleo de oliva ou de amendoim (30 a 50 ml) após a ingestão dos ácidos fracos; antibióticos; corticosteróides; tratar anemia, choque, desnutrição e infecções; colutórios de novocaína para a estomatite; para a queimadura ocular, solução aquosa, saturada, de ácido bórico.
Aconitina e Veratrina
Ambas provocam intoxicações com efeitos idênticos, com intenso estímulo vagal e depressão do sistema nervoso central.
Manifestações clínicas: Parestesias das extremidades e da mucosa faríngea; entorpecimento; gastrenterite; hipotensão; hipotermia; taquicardia; morte por choque ou parada respiratória.
Tratamento: Lavagem gástrica com solução de tanino a 2%; 0,5 a 1 mg de atropina; analépticos; soro glicosado na veia; oxigênio; transfusões.
Álcool Etílico
A tolerância individual ao álcool é bastante variável.
Manifestações clínicas agudas: estado de euforia e de excitação com 1 a 2,5% de álcool no sangue. Estado de narcose a partir de 2,5% e coma grave a partir de 4,5%. (A taxa normal de álcool no sangue é de 0,5%). O coma alcoólico se traduz por hálito característico, respiração rápida e superficial, taquicardia com tendência à hipotensão arterial, face congesta e ligeiramente cianótica; reflexos osteotendinosos geralmente abolidos.
Tratamento: Lavagem gástrica com uma solução de bicarbonato de sódio (evitar a apomorfina) e introdução pela sonda de café e de purgativo salino; inalação de amoníaco; analépticos; antibióticos; oxigênio nas formas graves; em caso de agitação, sedativos com muita cautela.
GRAFICO
Amoníaco
A inalação de amoníaco gasoso provoca rinofaringotraqueobronquite, seguida, nos casos mais graves, de edema do pulmão.
Tratamento: Ar fresco e oxigênio, nos casos graves de inalação de vapores de ácido acético; penicilina; tratar o edema do pulmão.
Arsenicais
Manifestações clínicas agudas: No caso de inalação, traqueíte, dores torácicas, tosse, dispnéia; dias depois, surgem alterações abdominais. No caso de ingestão, gastrenterite aguda com náuseas, vômitos, diarréia, eritema, taquicardia e hipotensão; mais tarde, oligúria, anúria, convulsões e coma.
Tratamento: Lavagem gástrica abundante, com água morna, ligeiramente albuminosa, ou com 1% de magnésia calcinada; hipossulfito de sódio a 10% em injeções intravenosas; BAL (British anti-Lewisite) na dose de 2,5 mg/kg, de 4 em 4 horas, no músculo, durante 48 horas, depois de 6 em 6 horas no 3º dia e, daí por diante, duas injeções diárias até a recuperação; perfusões intravenosas de soro fisiológico segundo a gravidade da gastrenterite; analépticos e analgésicos.
Barbitúricos
Mais da metade dos casos de suicídio se deve aos barbitúricos, a seus derivados ou a outros soporíferos. Os barbitúricos são rapidamente absorvidos no intestino, difundem-se em todo organismo e se eliminam quase que inteiramente pelos rins. Penetram eletivamente nos lipóides protoplasmáticos das células nervosas e têm um especial tropismo pelo mesencéfalo, particularmente pelos centros subtalâmicos — o que explica os distúrbios da termogênese, os respiratórios, vasomotores e neurovegetativos.
Quadro clínico — Nas formas brandas, início com imperiosa vontade de dormir, verdadeiro estado de embriaguez. Reage à dor provocada. Respiração tranqüila, pulso regular e de freqüência normal. Ainda presentes ou diminuídos os reflexos corneanos e tendinosos. Às vezes, sinal de Babinski bilateral, nistagmo e disartria.
Nas formas graves: coma profundo, cianose progressiva; hipertermia; erupções cutâneas, amiúde rubeoliformes; pulso acelerado; hipotensão arterial; respiração superficial e rápida; pupilas geralmente em miose moderada, com reação fraca ou nenhuma à luz. Em determinados casos, o diâmetro da pupila varia rapidamente; faltam os reflexos corneanos e também os tendinosos; a morte sobrevém por paralisia do centro respiratório ou por edema do pulmão.
Laboratório — Aumento de uréia do sangue, às vezes albuminúria; leucocitose mesmo na ausência de complicações infecciosas. O eletroencefalograma dá alterações características.
Tratamento: 1) Lavagem gástrica até 4 horas após a ingestão, usando solução de carvão ativado ou magnésia calcinada. Se houver coma, há o risco de aspiração brônquica, motivo por que se deve solicitar os préstimos de um anestesista que fará intubação traqueal prévia; 2) vigiar o pulso, a pressão arterial e a temperatura cada meia hora; 3) solução intravenosa de glicose isotônica (2 a 4 litros nas 24 horas); 4) desobstrução brônquica, aconselhando-se o decúbito ventral com elevação dos pés e lateralização da cabeça e aspiração das secreções; 5) analépticos: estricnina, cardiazol, picrotoxina, anfetamina; 6) oxigênio nos casos com cianose; 7) traqueotomia; 8) respiração artificial, assistida ou controlada, com respiradores tais como os da linha Bird, Bennet etc.; 9) eletroestímulo cerebral, usado, em alguns serviços, nos comas com depressão dos centros respiratórios; 10) tratar o choque pelos meios habituais; 11) antibióticos; 12) diurese alcalina com 250 ml de manitol a 20% associado a uma solução de bicarbonato de sódio a 5%, na veia. Usar o bicarbonato quando o pH urinário estiver abaixo de 7; 13) drogas antagônicas dos barbitúricos do tipo Megimide (N.P. 13), na dose de 10 ml a 0,5% em soro glicosado isotônico, cada seis minutos, até obter o efeito desejado. Pode ser associado a uma outra droga antagônica, o DAPT, que atua sinergicamente.
Bário
O carbonato e o cloreto de bário são solúveis e tóxicos, com dose letal que varia de 2 a 3 gramas.
Manifestações clínicas: Cerca de uma hora após a ingestão, surgem náuseas, vômitos, diarréia, cólicas, distúrbios cardíacos (extra-sístoles, bradicardia, fibrilação auricular etc.), tremores musculares, astenia, convulsões e, às vezes, paralisia muscular.
Tratamento: Lavagem gástrica com água pura; purgativo salino, 30 a 40 g; sedativos; analgésicos; oxigênio; respiração artificial.
Beladona
A atropina, a homatropina, a escopolamina, a hiosciamina e a solamina têm ação análoga: paralisam o parassimpático. A atropina e seus derivados se encontram em diversas plantas. A dose mortal é variável, habitualmente em torno de 100 mg.
Manifestações clínicas: Hipertensão arterial transitória, hipertermia, taquicardia, diminuição ou esgotamento das secreções lacrimais, salivares, sudoríparas, digestivas e brônquicas; sede intensa; paralisia da acomodação, fotofobia e midríase; cefaléia, estado tóxico (alucinações, logorréia, movimentos desordenados), convulsões, coma, paralisia respiratória.
Tratamento: Lavagem gástrica; solução de tanino a 1 ou 2%, seguido de um pouco d’água e carvão; emético; pilocarpina, 10 mg, via subcutânea, podendo ser repetida; analépticos em caso de coma; barbitúricos de ação curta em caso de excitação.
Benzol
Formado de uma mistura de benzenos, tolueno (toluol) e xilenos (xilol).
Manifestações clínicas (agudas): Euforia, excitação, vertigens, cefaléia, marcha ebriante, perda da consciência, convulsões e edema do pulmão.
Tratamento: Em caso de ingestão, lavagem do estômago; em caso de inalação, analépticos e respiração artificial.
Brometos
Os mais usados são os de cálcio, sódio e potássio.
Manifestações clínicas: Rinite, conjuntivite, anorexia, náuseas e, às vezes, acne; esmorecimento, astenia, sonolência, incoordenação motora, às vezes, excitação motora, delírio, tremor. As taxas sangüíneas de brometos iguais ou superiores a 200 mg permitem confirmar a intoxicação.
Tratamento: 10 a 20 gramas de cloreto de sódio ao dia; líquidos em abundância; diuréticos mercuriais.
Cádmio
Pode ser inalado ou então ingerido com alimentos conservados em recipientes metálicos.
Manifestações clínicas (agudas): Gastrenterite aguda, quando ingerido; quando inalado, irritações da mucosa respiratória, dispnéia, tosse, expectoração às vezes sanguinolenta, sensação de ardência no tórax por vezes náuseas e vômitos; após 20 a 36 horas, costuma aparecer edema do pulmão.
Tratamento: Lavagem do estômago com leite e clara de ovo; antibióticos.
Cafeína
Causa taquicardia, palpitação, cefaléia, excitação e, nos casos graves, convulsões.
Tratamento: Lavagem gástrica ou eméticos, em caso de ingestão recente; barbitúricos.
Cantárida
É vesicatório e afrodisíaco. Provoca uretrite aguda, priapismo, disúria, oligúria, nefrite, gastrenterite aguda com diarréias sanguinolentas.
Tratamento: Eméticos. Evitar lavagem gástrica por causa da necrose. Também não administrar purgativos oleosos por ser alcantárida, substância lipossolúvel.
Cloral
O cloral ou hidrato de cloral em doses moderadas provoca sono de 6 a 10 horas. Em excesso leva ao coma do tipo barbitúrico com relaxamento muscular, hipotermia, hipotensão, hiporreflexia, bradipnéia, chegando à parada cardíaca e respiratória.
Tratamento: Mesmo esquema do tratamento do coma barbitúrico, salvo no que tange aos antídotos; acrescentam-se analépticos como lobelina, coramina, cafeína etc.
Clorpromazina
Causa fadiga, cefaléia, palidez, taquicardia acentuada, peso nos membros e estado sincopal.
Tratamento: Lavagem gástrica com permanganato de potássio; carvão ativado; purgativo salino; aminofilina venosa; diurese osmótica.
Cocaína
Na intoxicação aguda, a cocaína provoca agitação, alucinações, erotismo, taquicardia, midríase, hipertensão, febre, sudorese; às vezes, crises epilépticas.
Tratamento: Lavagem gástrica, carvão purgativo; havendo coma, dar analépticos, oxigênio e soluções glicosadas pela veia; havendo excitação, administrar barbitúrico.
Colchicina
Causa dores musculares, gastrenterite, convulsões, paralisia, alterações renais, hipotensão, estado de choque e parada respiratória.
Tratamento: Lavagem gástrica com solução de tanino a 2%; analépticos; analgésicos; oxigênio; hidratação.
“Comigo-Ninguém-Pode” (Arácea)
Planta ornamental, de suco adocicado, folha pintada de branco, que provoca intoxicação e distúrbios (sialorréia, edema dos lábios e da língua, ardor, disfagia dolorosa, vômitos mucosos, edema de Quincke), sobretudo em crianças.
Tratamento: Leite, anti-histamínicos, gluconato de cálcio a 10% na veia, 5 ml nas crianças e 10 ml nos adultos.
Curare
Causa paralisia da musculatura estriada e morte por parada respiratória.
Tratamento: 0,5 mg de prostigmina.
Dinitrofenol
Usado como dinitrocresol na fabricação de explosivos e como inseticida. Tóxico por inalação.
Manifestações clínicas: Febre, taquicardia, astenia, emagrecimento acentuado, dermite, às vezes polineurite. A catarata pode ser uma seqüela.
Tratamento: Sintomático.
Estricnina
Causa hiperestesias generalizadas, convulsões tônicas com trismo, opistótono e morte por asfixia. A dose letal é de aproximadamente 0,2 g.
Tratamento: Barbitúricos; cessadas as convulsões, fazer lavagem gástrica com solução de permanganato de potássio a 1:5.000; oxigênio; perfusões venosas de soluções glicosadas; penicilina.
Fenol
O fenol ou ácido carbólico, os cresóis, os metilfenóis e o creosoto são usados na indústria e, sob diferentes nomes, como desinfetantes.
A intoxicação aguda por ingestão causa manifestações gerais, precedidas de gastrenterite com ulcerações da mucosa bucal, sialorréia e dores abdominais.
Tratamento: Oxigênio; perfusões de soro glicosado; grandes quantidades de óleo de oliva; havendo acidose, soluções intravenosas de lactato ou de bicarbonato de sódio.
Ferro
Os produtos de ferro usados no tratamento das anemias são tóxicos apenas em doses elevadas (a partir de 1 a 2 gramas), particularmente nas crianças.
Causam gastrenterite com ulcerações e hemorragias nos casos graves.
Tratamento: Lavagem gástrica; introduzir pela sonda leite, carvão e bicarbonato de sódio.
Fósforo
Pode causar intoxicação quando ingerido ou inalado.
Manifestações agudas: Por ingestão, gastrenterite aguda mortal em poucas horas; por inalação, surgem primeiro os distúrbios respiratórios (dispnéia) e nervosos (cefaléia, vertigens, síncope). Se o doente sobrevive, aparece icterícia grave, às vezes acompanhada de insuficiência renal.
Tratamento: Lavagem gástrica com 500 ml de sulfato de cobre a 0,5%, seguida de lavagem com permanganato de potássio a 0,1%; instilação por sonda de 50 gramas de sulfato de magnésio e, a seguir, 100 a 200 ml de óleo de parafina; essência de terebintina (1 a 2 ml em cápsula); bicarbonato de sódio; penicilina; evitar alimentos graxos (óleos, leite etc.); tratar a insuficiência hepática.
Gás Carbônico
O gás carbônico (dióxido de carbono, CO2) é mais pesado que o ar e se acumula nas escavações, silos etc.
Sua inalação causa dispnéia, astenia, cefaléia, zumbidos, taquicardia, palpitações, vertigens, síncope, coma e cianose intensa.
Tratamento: Oxigênio; analépticos; respiração artificial.
Inseticidas Inibidores de Colinesterase
Usados na agricultura. O tetraetilpirofosfato e o dietilnitrofeniltiofosfato são muito tóxicos para o homem. Inibindo a colinesterase, estas substâncias permitem o acúmulo de acetilcolina nos tecidos.
Manifestações clínicas: Miose, bradicardia, hipotensão, espasmos da musculatura lisa (asma) e estriada (convulsões) e morte por paralisia respiratória.
Tratamento: Atropina em doses muito elevadas por via intravenosa.
Iodetos
Podem causar salivação, coriza, lacrimejamento, hipertrofia dolorosa das glândulas salivares, erupções cutâneas e, às vezes, hipertireoidismo.
Tratamento: Interromper a medicação; eventualmente antitireóideos.
Iodo
A intoxicação pela tintura de iodo causa uma gastrenterite grave, seguida de anúria.
Tratamento: Lavagem gástrica com água de amido ou com tiossulfato de sódio a 5%; tratar a desidratação; alimentos amidados (arroz).
Maconha
Em pequenas doses, causa euforia, excitação psíquica, loquacidade, alucinações seguidas de sonolência. Em doses elevadas, causa acentuada congestão da face e das conjuntivas, taquicardia, taquipnéia, sonhos eróticos, distúrbios da personalidade e fome exagerada.
Tratamento: Interromper a tomada da droga; desintoxicar como se faz para o alcoolismo; medidas psiquiátricas.
Magnésio
Na intoxicação pelo magnésio há depressão do sistema nervoso central e do miocárdio.
Tratamento: Injeção imediata, intravenosa, de um sal de cálcio.
Mamona
Causa náuseas, vômitos, diarréia acentuada, desidratação, prostração, sonolência e choque. Pode haver anúria inicial, manifestação de mau prognóstico. A morte pode ocorrer do terceiro ao quarto dia.
Tratamento: Lavagem gástrica ou emético e medidas coadjuvantes.
Mercúrio
Manifestações agudas: Minutos após a ingestão, queimaduras da boca do esôfago, do estômago, gosto metálico, salivação abundante. Nos casos de inalação intensa de vapores de mercúrio, traqueobronquite difusa. Depois, náuseas, vômitos freqüentemente sanguinolentos, dores abdominais paroxísticas, diarréias profusas, também sanguinolentas. Finalmente, nos casos muito graves, ou não-tratados, taquicardia, anúria, estado de choque e morte. Os casos que sobrevivem apresentam, dias após, estomatite, colite e nefrose necrótica.
Tratamento: BAL o mais precocemente possível; lavagem gástrica imediata, introduzindo clara de ovo batida com leite desnatado (meio litro por sonda); tratar a anúria.
Monóxido de Carbono
Gás (CO) incolor, um pouco mais leve do que o ar. Encontra-se nos altos-fornos, nos gases de escape dos motores de explosão, na combustão da madeira, no gás de iluminação etc. É variável a sensibilidade individual a este gás. O CO forma com a hemoglobina a carboxiemoglobina (HbCO), incapaz de transportar oxigênio.
Intoxicação maciça: paralisia dos membros, síncope, convulsões e morte em poucos segundos ou minutos.
Na intoxicação aguda: cefaléia bitemporal, zumbidos, náuseas, dores abdominais, palpitações, marcha ebriante, sonolência e coma. O doente se torna rosado, com respiração superficial, às vezes com respiração tipo Cheyne-Stokes; pulso rápido e hipotensão arterial, papilas reagindo fracamente à luz, ficando em miose ou em midríase, com freqüente anisocoria; reflexos osteotendinosos aumentados de início, mas logo desaparecem; freqüentemente sinal de Babinski. A morte sobrevém em horas ou dias por parada respiratória, precedida amiúde por hipertermia. Os doentes que sobrevivem apresentam cefaléia, vertigens e amnésia durante sua recuperação.
Tratamento: Oxigênio; respiração artificial; glicose hipertônica para combater o edema cerebral; analépticos; sangria; transfusões; antibióticos.
Naftalina
Intoxicação comum nas crianças. As manifestações clínicas aparecem dias após a ingestão com anemia hemolítica. Doses maciças causam lesões hepáticas e cataratas.
Tratamento: Lavagem gástrica; introduzir carvão ou albumina; alcalinizar a urina.
Nicotina
Em sua maioria, as intoxicações ocorrem por ingestão acidental ou inalação de inseticidas à base de nicotina. A dose letal é de 50 mg.
Na intoxicação aguda, há gastrenterite aguda e, nos casos graves, distúrbios do ritmo cardíaco, convulsões, choque e parada respiratória.
A intoxicação crônica se observa nos grandes fumantes: nervosismo, anorexia, faringite, bronquite, enfisema pulmonar, câncer pulmonar do tipo freqüentemente epidermóide, doença de Buerger etc.
Tratamento da forma aguda: Lavagem gástrica com solução de tanino a 2%; a atropina em doses fortes inibe parcialmente alguns efeitos da nicotina; manter a função respiratória; tratar as arritmias.
Nitritos
Estão incluídos: nitrito de sódio, nitrito de potássio, nitrito de amilo e nitroglicerina. A dose letal de nitrito de sódio é de 4 gramas.
Manifestações clínicas: Vasodilatação generalizada, cefaléias violentas, hipotensão, cianose e síncope.
Tratamento: Em caso de ingestão, lavagem gástrica, carvão e sulfato de sódio (20 a 30 g). Nos casos graves, oxigênio, transfusões precedidas de sangria, injeção intravenosa, muito lenta, de uma solução a 1% de azul-de-metileno (0,1 mg/kg).
Opiáceos
A suscetibilidade individual é variável aos opiáceos (ópio, morfina, codeína, heroína e certos analgésicos de síntese).
Manifestações agudas: Em doses maciças coma e morte em poucas horas sem convulsões e com midríase. Em doses menos elevadas, há batimento nos vasos da fonte, pulso rápido, taquicardia, erupções cutâneas, pruriginosas e garganta seca; a seguir, náuseas e vômitos, oligúria e constipação, por vezes, euforia, agitação e delírio. A intensa miose é quase que patognomônica. Horas depois, a respiração e o pulso se tornam mais lentos, a pressão arterial baixa, a cianose aumenta, surgem convulsões, e a dilatação da pupila anuncia a morte.
Tratamento: Solução de tanino, 1 a 2%, em doses de 100 ml e, depois, um pouco d’água; lavagem gástrica com permanganato de potássio a 1%, depois carvão e purgativo salino (recomenda-se esta medida mesmo que o tóxico haja sido injetado, pois a morfina, por exemplo, se elimina parcialmente pela mucosa gástrica); em caso de injeção, circunscrever a zona infectada com adrenalina diluída (não ultrapassar 1 mg); administrar N-alilnormofina (antídoto dos opiáceos) por via subcutânea, na dose de 5 a 10 mg. Repetir a dose, conforme a evolução do caso; no mais, a terapêutica é a do coma barbitúrico.
Permanganato de Potássio
A ingestão de 15 a 20 g pode causar a morte.
Manifestações clínicas: Edema dos lábios, boca, língua e faringe; fácies pálidas; dispnéia e até asfixia.
Tratamento: Ingerir 20 g de hipossulfito de sódio em 500 ml de água; ingerir uma suspensão de carvão medicinal; purgativos; diuréticos, cardiotônicos; lavagem gástrica com hipossulfito de sódio a 5% ou com uma suspensão de carvão ativado; injeção intravenosa ou intramuscular de 10 ml de gluconato de cálcio.
Pilocarpina
É um parassimpaticomimético, cuja dose letal é de 20 a 30 mg.
Manifestações clínicas: Diminuição da freqüência do pulso, transpiração, sialorréia, lacrimejamento, vômitos, diarréia violenta, polaciúria, cefaléia, vertigens, hipotensão etc.
Tratamento: Atropina (0,5 a 1 mg subcutânea), que poderá ser repetida, se necessário; lavagem gástrica com solução de tanino a 1 ou 2%, com permanganato de potássio a 1%. Nos casos graves, oxigênio, analépticos e respiração artificial.
Piramido
Sua dose letal é de 10 g. Esta intoxicação muitas vezes se associa à barbitúrica.
Manifestações clínicas: Crises epilépticas subintrantes e urina avermelhada.
Tratamento: Lavagem gástrica, carvão e purgativo; perfusões de soro glicosado; oxigênio; em caso de crises convulsivas, administrar barbitúricos.
Psicaminas
São estimulantes a que pertencem a benzedrina e a anfetamina.
Tratamento: Medidas sintomáticas; usar clorpromazina nos intoxicados por anfetamina; encaminhar o doente ao psiquiatra.
“Saia Branca” (Solanácea)
Causa intoxicação do tipo atropínico, bloqueadora do vago.
Manifestações clínicas: Agitação psicomotora, midríase intensa, distúrbios visuais, convulsões, delírio, secura da pele e mucosa, hiperemia cutânea, febre, taquicardia, disúria e outras.
Tratamento: Lavagem gástrica com solução de tanino 4% em permanganato de potássio a 0,2 ml; 5 mg de solução a 5% de pilocarpina oral ou 2 mg por via intramuscular; Gardenal intramuscular na agitação psicomotora intensa; o diazepam, 10 mg na veia, é eficaz nas convulsões; hidratação venosa com soro glicosado; oxigênio etc.
Salicilatos
O ácido salicílico, o ácido acetilsalicílico e os salicilatos têm ação análoga. Os primeiros sinais de intoxicação surgem a partir de 8 a 10 gramas.
Manifestações clínicas: Sudorese profusa, gastrenterite, cefaléia, zumbido, vertigem, distúrbios visuais, surdez, hiperpnéia, respiração de Kusmaul, taquicardia, hipotensão; às vezes, exantemas e hematúria; diminuição inconstante da taxa percentual de protrombina.
Tratamento: Lavagem gástrica com sulfato de sódio, carvão, purgativos salinos; correção dos transtornos hidreletrolíticos, vitamina K.
Saturnismo
Intoxicação pelo chumbo e alguns de seus sais. Ocorre por via digestiva e respiratória.
Saturnismo agudo: Gastrenterite aguda, violenta, ptialismo, vômitos, cólicas abdominais intensas, constipação, anúria, hipotermia e choque.
Tratamento: Lavagem gástrica com sulfato de sódio a 3% e introdução de carvão, leite e albumina; gluconato de cálcio intravenoso, em doses altas; depois da fase aguda, administrar vitaminas C e D, e 2 g de citrato de sódio ao dia.
Saturnismo crônico: Astenia, inapetência, cefaléia, constipação rebelde, às vezes, impotência sexual no homem e aborto. Palidez intensa. Orla genginal de Burton, gengivite, piorréia, hálito fétido, glândulas salivares grandes e dolorosas. A cólica saturnínica é manifestação tardia e se caracteriza por dor abdominal violenta, generalizada, particularmente na região umbilical, que dura minutos ou horas, excepcionalmente dias, acompanhada de constipação persistente. É freqüente a hiperacidez gástrica. Polineurite essencialmente motora e indolor. Anemia do tipo hipercrônico, sendo freqüente uma reticulocitose de até 5%. Pressão arterial ligeiramente aumentada. Os sinais de intoxicação nunca faltam quando a taxa de chumbo plasmático está acima de 60 gramas% (a taxa plasmática normal é de 5 a 30 gramas%).
Tratamento: Há agora um sal cálcico e dissóclico do ácido etilenodiaminotetracético (versenato de cálcio), que tem a capacidade de mobilizar o chumbo.
O tratamento deve ser feito em hospital: 1 g do medicamento (5 ml da solução a 20% dissolvidos em 500 ml de glicose isotônica) em perfusão venosa lenta, uma ou duas vezes ao dia, durante cinco dias. Após dois dias de repouso, fazer nova série. O tratamento completo implica em 3 a 4 séries. Os resultados são excelentes. Além disso, administração de antiespasmódicos e gluconato de cálcio na veia; sedativos e glicose hipertônica intravenosa em casos de crises convulsivas; tratar a polineurite.
Tálio
Usou-se o tálio sob a forma de acetato como depilatório. Hoje se usa sob a forma de sulfato na luta contra os ratos.
Manifestações clínicas: Dores nas pernas e na região retrosternal, sede, insônia e constipação. Esse quadro desaparece e, 10 a 15 dias após, se instala uma polineurite grave, motora e sensorial, nos membros inferiores. As formas graves causam morte por paralisia bulbar. É freqüente a neurite óptica. Ocorre também queda do cabelo.
Tratamento: Lavagem gástrica com iodeto de potássio a 1%; injeções intravenosas de tiossulfato de sódio a 10% (10 ml por dia) ou 1 g por dia de iodeto de sódio intravenoso; tratamento sintomático da polineurite.
Tetracloreto de Carbono
Líquido incolor incombustível, com odor de clorofórmio. Pode ser ingerido ou inalado. Produtos de limpeza e em certos vermífugos. Provoca lesões do fígado, rins, sistema nervoso central e pulmões.
Manifestações clínicas: Astenia, naúseas, vômitos, dor na nuca, cefaléia, parestesias, torpor e inconsciência. A morte pode sobrevir em insuficiência respiratória e circulatória. É habitual aparecer uma síndrome hepatorrenal 3 a 10 dias após a exposição ao medicamento.
Tratamento: Nos casos de ingestão, lavagem gástrica com água, purgativo salino; hidratação; não dar leite, nem qualquer outro alimento gorduroso. Nos casos de inalação, remover imediatamente o enfermo do local de exposição; oxigênio; respiração artificial.
Vapores Nitrosos
Causam rinofaringotraqueobronquite dolorosa com acessos de tosse. Após um período de remissão de algumas horas, aparecem sinais de gastrenterite aguda e de edema do pulmão.
Tratamento: Repouso absoluto; oxigênio; penicilina; tratar edema agudo do pulmão.
AGENTES FÍSICOS
Altitude
Diminuindo a pressão barométrica com a altitude (3.500-4.000 metros), baixa a pressão parcial de oxigênio do ar alveolar. Disso resulta: diminuição da saturação de oxigênio do sangue arterial; estímulo da ventilação pulmonar, aumentando a eliminação de dióxido de carbono; alcalose e aumento compensatório do volume sangüíneo.
Manifestações clínicas: Euforia, cefaléia, vertigens, náuseas e vômitos. Acima de 5.000 ou 6.000 metros aproximadamente metade das pessoas tem síncope. Há alterações eletrocardiográficas (ondas achatadas), eletrencefalográficas (disritmia por alcalose) e diminuição da acuidade visual, principalmente à noite.
Descompressão
A quantidade de nitrogênio em solução no organismo é relativamente importante, porque ele é mais solúvel nas gorduras do que na água. Em caso de diminuição lenta da pressão barométrica, o nitrogênio passa dos tecidos para o sangue, sendo eliminado pelos pulmões. Havendo diminuição rápida produzem-se bolhas, intravasculares e extravasculares.
Quando ocorre passagem de uma pressão aumentada para uma pressão normal, há sinais neurológicos. Havendo passagem rápida de uma pressão normal para uma pressão muito diminuída (ascensão rápida), ocorrem crises dispnéicas e dores musculares e articulares.
Tratamento: Recompressão.
Eletrocução
As correntes alternadas de 50-60 ciclos, embora de baixa voltagem, são mortais se a pele estiver úmida e fazendo “terra”. Elas causam a morte por fibrilação ventricular. As correntes de alta voltagem causam morte por parada respiratória. As correntes de alta freqüência, embora de alta voltagem, oferecem menor perigo. As correntes contínuas raramente são lentas abaixo de 300 volts.
Manifestações clínicas: Variam entre a morte instantânea e a perda da consciência. Às vezes, convulsões; queimaduras nos pontos de contato. Entre as seqüelas, figuram: astenia, irritabilidade, palpitações e, raramente, catarata.
Tratamento: Cortar a corrente; respiração artificial imediata e prolongada; oxigênio, analépticos; evitar o uso de adrenalina.
Frio
O frio pode causar: manifestações de hipersensibilidade como asma, urticária, espasmos vasculares, fenômeno de Raynaud; síncopes; hemoglobinúria paroxística “a frigore” (emólise devido à presença de auto-hemolisina); geladuras, pé-de-trincheira etc.
Insolação
Começo agudo, às vezes superagudo, com fraqueza, cefaléias, torpor, às vezes, excitação, náuseas e vômitos; pele seca, face congesta, temperatura corporal elevada, chegando a 43°C-44°C; pulso rápido, pressão sistólica elevada, ruídos cardíacos intensos. Na falta de tratamento, o paciente entra em coma profundo e se instala progressivamente o choque. A pressão arterial baixa e o doente se torna pálido. Os exames de laboratórios revelam leucocitose, trombocitopenia e aumento do tempo de coagulação.
Tratamento: Banho gelado, sob controle da temperatura, para os que ultrapassam 40°C. O banho continua até que a temperatura retal baixe a 38°C. Depois coloca-se o doente em lugar fresco. Havendo choque, tratá-lo segundo os esquemas conhecidos.
Raios X e Radioatividade
Incluem-se aqui os raios X, os raios beta, os raios gama e os raios alfa.
O “Roentgen” (r) é a unidade internacional para os raios X e gama, e corresponde à quantidade de radiação que produz em 1 ml de ar, em condições normais, quantidades iguais de iontes positivos e negativos, cada uma equivalente a uma unidade eletrostática de carga elétrica. O r corresponde à absorção de 83 ergs por grama de tecido. A dose máxima tolerada, sem risco, por semana, pelo organismo é de 0,3 r.
Os distúrbios ocorrem provavelmente por absorção intracelular de energia com produção de calor e destruição das proteínas. A ionização intracelular também é importante.
Manifestações clínicas: Na fase inicial, astenia, náuseas, vômitos, diarréia — síndrome que se observa também durante o tratamento intensivo com os raios X. A fase de latência varia de alguns dias a várias semanas. Na fase tóxica há inapetência, emagrecimento, febre, ulcerações da orofaringe e das vias digestivas, diarréia, queda dos pêlos, agranulocitose, hemorragias mucosas e cutâneas por trombocitopenia e aumento da permeabilidade capilar. Há uma fase de convalescença prolongada com seqüela (esterilidade, catarata, predisposição a leucemia etc.). Na fase crônica, há predisposição a infecções, epiteliomas, leucemias e sarcomas. Às vezes, anemia aplástica.
Tratamento: Na forma aguda, transfusões repetidas e abundantes, antibióticos, eventualmente azul-de-toluidina (2 a 4 mg/kg de peso), vitaminas e extratos da supra-renal.