PARADA CARDÍACA

Conceito — É o estado durante o qual não há circulação efetiva a partir do coração.

   Clinicamente, distinguem-se a fibrilação ventricular e a assistolia que, para fins de tratamento imediato, são equivalentes.

Diagnóstico — A ausência de pulso e de batimentos cardíacos, aliada a manifestações, tais como palidez, midríase e perda da consciência, permite estabelecer o diagnóstico clínico de parada cardíaca.

Tratamento imediato — Massagem cardíaca externa. Esta se realiza da seguinte maneira: apoia-se a base da palma de uma das mãos em dorsoflexão sobre o apêndice xifoide e sobre ela a outra mão, fazendo carga com o peso do corpo e retirando essa carga a uma frequência de 70 a 80 vezes por minuto. Um auxiliar verificará a efetividade da massagem pela tomada de pulso femoral, ou colocando manômetro aneroide com a pressão de 60-70 mmHg para vigiar a amplitude das oscilações da agulha. Estes procedimentos devem ser iniciados pela enfermeira até que chegue o médico. Como medida auxiliar importante, fazer respiração boca a boca, como na parada respiratória.

   A massagem cardíaca interna se faz através de uma ampla toracotomia anterior no quarto espaço intercostal esquerdo, sem abrir o pericárdio, introduzindo as mãos para massagear o coração entre as palmas, desde a ponta até os grandes vasos.

Tratamento mediato — (1) Controle eletrocardiográfico para diagnóstico diferencial entre assistolia e fibrilação ventricular, e para observar a resposta aos medicamentos ou às tentativas de desfibrilação. (2) Injeção intracardíaca de 3 a 4 ml de cloreto de cálcio em solução a 10%, repetida cada 30 minutos, enquanto a resposta do coração for débil. (3) Aplicação venosa de solução glicosada a 5% com algum vasopressor, em gotejamento suficiente para obter adequada pressão arterial. (4) Se o ECG revelar assistolia, aplicam-se 3 ml de adrenalina a 1:10.000 em injeção intracardíaca. (5) Se houver fibrilação ventricular, coloca-se um eletrodo do desfibrilador externo sobre o esterno e o outro abaixo do mamilo esquerdo, usando geleia especial ou álcool para assegurar contato adequado. Desconecta-se o eletrocardiógrafo e dá-se um choque de um terço de segundo com 500 volts. Logo após se passa à massagem externa e se repete a desfibrilação com 600 volts, se não houver boa resposta. (6) Administrar, por via intravenosa, três ampolas de 10 ml de bicarbonato de sódio a 10% para combater a acidose metabólica do miocárdio. Ou, então, lactato de sódio 1/6 molar, 16 gotas por minuto. (7) Se houver distúrbios de condução (p. ex.: bloqueio completo), aplicar o marcapasso. (8) Uma vez normalizado o ritmo cardíaco, vigiar cuidadosamente o doente devido a uma possível parada cardíaca posterior. (9) Manter boa ventilação e adequada pressão sanguínea. (10) Se, depois de recuperado, o paciente apresentar contrações fibrilares dos músculos esqueléticos, usar barbitúricos e ligeira hipotermia cerebral. (11) Interromper os esforços e tentativa de recuperação se, após uma hora, o paciente apresentar as seguintes manifestações: pupilas paralíticas e dilatadas, ausência de atividade elétrica do coração, ausência de movimentos respiratórios espontâneos e ausência de atividade elétrica cerebral.

 

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