| TOXIINFECÇÕES ALIMENTARES |
Toxiinfecção alimentar é uma síndrome clínica provocada por ingestão dealimentos que contêm germes patogênicos e suas toxinas. Entre os germes figuram salmonelas, estafilococos, proteus, colibacilos, enterococos e bacilo botulínico.
Os alimentos de origem animal são os mais nocivos, sobretudo as carnes em conserva. Charque, toicinho, presunto, lingüiça, lombo, salsichas, saladas, maioneses, ovos, cremes, doces, sorvetes podem servir de meio de transmissão dos germes da toxiinfecção alimentar. Convém lembrar que o peixe, o camarão, a ostra e os mexilhões podem favorecer, por sua rápida decomposição, o desenvolvimento dos germes.
Na forma gastrentérica, o início é como mal-estar, dores abdominais vagas, estado nauseoso, sensação de vazio gástrico e cefaléia. Depois, as dores abdominais se acentuam; os vômitos se tornam intensos, incoercíveis, desidratando o doente; instala-se a diarréia freqüente e abundante, com grande espoliação aquosa do organismo. Há também astenia, vertigens, dores articulares e musculares, cãibras nas pernas e nos pés. A forma colérica é uma variante grave da gastrentérica. É conhecida como colera nostras. A forma nervosa se observa na intoxicação pelo bacilo botulínico, que atua através de sua poderosa toxina. Este bacilo é anaeróbio e se desenvolve nas carnes e produtos em conserva. A toxina tem grande afinidade pelo sistema nervoso e produz as seguintes manifestações clínicas: vertigens, vômitos, cefaléia, prostração, paralisia dos músculos da acomodação e da motricidade ocular, midríase, oftalmoplegia, amaurose, dispnéia, coma e outras.
Tratamento: Lavagem gástrica e, a seguir, administrar uma fórmula antiemética (4 g de citrato de sódio, 250 ml de magnésia fluida; dar um cálice de meia em meia hora); administrar sulfas ou oxitetraciclina até melhorar a diarréia; na fase de vômito pode-se dar estreptomicina e oxitetraciclina via intramuscular; se estiver em causa o bacilo botulínico, emprega-se o soro antitóxico botulínico, polivalente, 500 ml por via intramuscular, subcutânea e venosa, segundo a necessidade; em caso de salmonela, é eficaz o cloranfenicol; combater a desidratação com soros glicosado e fisiológico na veia, fazendo o controle da hidratação pelo hematócrito e a hematimetria; controlar a hipocloremia e a hipoproteinemia; tratar o colapso; usar, quando necessário, coramina, cafeína, estricnina e oxigênio; às vezes, é preciso indicar a traqueotomia.
Convém lembrar no tópico das intoxicações alimentares, o micetismo. É a intoxicação por cogumelos venenosos, dentre os quais estão: Amanita phalloides, verna e virosa, que atuam de forma mortal; Amanita muscarinica e pantherica, que dão a forma nervosa; Gyromitra esculenta, que provoca as formas anafilática e hemolítica.
Manifestações clínicas: Náuseas, vômitos, diarréia, dores epigástricas, sensação de plenitude, sinais de insuficiência hepática, astenia, soluços, cãibras, convulsões, vertigem, paralisias, amaurose, ambliopia, miose ou midríase, delírio, coma, dispnéia, cianose, respiração estertorosa, hipoglicemia, oligúria etc.
Tratamento: Como os sintomas aparecem depois de seis horas, a lavagem gástrica não beneficia o doente; hidratação venosa, com reposição salina; combater a hipoglicemia com soro glicosado; analgésicos; tratar o colapso e as convulsões; oxigênio; antibióticos.